Defesa de Carla Zambelli pede para PF adiar mais uma vez depoimento sobre ação do hacker Delgatti

Política

Advogados alegam que não consta no processo “oitivas realizadas nas últimas semanas”. Delgatti falou à PF em 16 de agosto e acusou a deputada de financiar invasão a site da Justiça.

Por Andréia Sadi, Arthur Stabile

A defesa da deputada federal Carla Zambelli Carla Zambelli (PL-SP) pediu para a PF adiar novamente o depoimento da parlamentar em investigação sobre suspeita de ela ter pagado para o hacker Walter Delgatti para invadir um site da Justiça e contas do ministro do STF Alexandre de Moraes.

O primeiro depoimento estava agendado para 7 de agosto e foi adiado após os advogados da parlamentar alegarem que não tiveram acesso à íntegra do processo, que corre no STF. A PF adiou a oitiva.

Agora, o quarteto de advogados que defendem Zambelli, entre eles Daniel Bialski, dizem que solicitaram a íntegra do processo, mas, ao receber, alegam não constar nele “alguns atos processuais”. Eles citam no pedido (veja abaixo) a falta “principalmente [de] algumas oitivas realizadas nas últimas semanas”. Entre as novidades neste tempo está o depoimento do hacker Delgatti, em 16 de agosto.

Pedido feito pela defesa de Zambelli — Foto: Reprodução

Pedido feito pela defesa de Zambelli — Foto: Reprodução

Dias depois, a PF intimou Zambelli a depor sobre a invasão no sistema do Conselho Nacional de Justiça. A intimação ocorreu justamente após Delgatti, em seu depoimento, acusar a deputada de pagar pelas invasões à plataforma.

A invasão, descoberta em 5 de janeiro, incluiu no sistema do CNJ um mandado falso de prisão expedido em nome do ministro Alexandre de Moraes para prender ele mesmo. “publique-se, intime-se e faz o L. Assinado: Alexandre de Moraes”, dizia o texto.

No pedido enviado pela defesa de Zambelli à Coordenação de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF, os advogados se comprometem a entrar em contato com a PF para agendar uma nova data para o depoimento de Zambelli “assim que for concedida referido acesso a totalidade dos elementos materializados nos autos”.

A PF ainda não respondeu ao pedido, segundo os advogados.