Sargeant chegou a abandonar prova com sintomas de desidratação severa; Russell disse quase ter desmaiado dentro do carro, e Stroll e Norris relataram visão borrada e perda de consciência
Por Redação GE
O GP de Singapura ganhou um forte concorrente na F1 – ao menos, em termos do grande desafio físico imposto aos pilotos. A combinação entre calor, alta umidade e extremo esforço no GP do Catar, vencido neste domingo por Max Verstappen, fez com que vários pilotos passassem mal.
Logan Sargeant chegou a abandonar a prova com sintomas de desidratação severa e gripe, e Esteban Ocon vomitou no próprio capacete entre as voltas 15 e 16.
– Já esperávamos por isso, mas esse fim de semana foi quente demais para pilotar. Se continuarmos voltando aqui, essa corrida precisa ser mais para o fim do ano. Estava beirando 40ºC lá fora. Foi bem extremo. Muitos pilotos com os quais eu falei depois do pódio, estavam deitados no chão por aí – alertou o vencedor da prova, Max Verstappen.
Depois da bandeirada, a câmera de bordo da Aston Martin de Lance Stroll registrou o canadense descendo de forma errática de seu carro: ele caminhou direto para uma ambulância, na qual recebeu atendimento. Em seu perfil nas redes, a equipe britânica agradeceu as mensagens do público e confirmou que todos no time passam bem depois da prova.
– Essas temperaturas… tudo ficava borrado, nas curvas de alta velocidade estávamos quase desmaiando. A pressão ficando baixa. Com a força G nas curvas de alta, nas últimas 20 voltas já não dava pra enxergar mais nada, porque era como se perdêssemos a consciência nesses trechos – declarou o canadense para a “SkySports F1”, após a corrida.
Da mesma forma, Alexander Albon também precisou de ajuda para descer de seu carro. Após a corrida, a Williams confirmou que o anglo-tailandês foi levado ao centro médico do circuito e recebeu tratamento para exposição aguda ao calor, sendo liberado logo em seguida.
Albon e Sargeant, porém, não foram os únicos pilotos que precisaram de atendimento médico. Terceiro colocado na prova em Lusail, Lando Norris ainda revelou que alguns de seus rivais desmaiaram durante atendimento.
– Foi uma corrida difícil. Alguns pilotos quase desmaiaram no centro médico. Isso mostra o quão difícil é nosso trabalho. É fácil dizer que temos que preparar melhor, mas estamos expostos a 50, 60 graus no cockpit, não é algo normal para o corpo humano. Até pra mim, em alguns momentos minha visão ficou borrada, e isso é perigoso. Chegamos ao limite do corpo humano nessa corrida – expôs.
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Logan Sargeant abandona o GP do Catar de F1 2023, passando mal — Foto: Dan Istitene – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Outro problema foi o superaquecimento dos carros: no decorrer da prova, Fernando Alonso se queixou do assento extremamente quente e pediu por auxílio da Aston Martin, que lamentou não poder ajudá-lo. Albon também reclamou pelo mesmo motivo com a Williams, e George Russell chegou a andar por alguns períodos sem as mãos no volante para tentar refrescá-las ao ar.
– Foi a corrida mais desafiadora em que eu já competi. Foi insano o quão quente estava. Eu estava tentando conseguir qualquer ventinho (quando pôs as mãos para fora). Levamos nosso corpo ao limite, mas estava muito quente. Para ser sincero, em alguns momentos eu achei que fosse desmaiar no meio da corrida – afirmou o britânico da Mercedes, acrescentando:
– Fiquei feliz por ter visto a bandeira quadriculada. Estava quase 50ºC lá, você usa uma roupa à prova de chamas, e tem um ar quente vindo dos carros na sua frente. Não dá pra refrescar, até sua água fica quente. É como ficar com um secador no seu rosto por 1h30.
Citado acima, um dos casos que mais chama atenção é o de Esteban Ocon: o piloto da Alpine relatou pelo rádio da equipe ter vomitado dentro do próprio capacete entre as voltas 15 e 16. Josh Peckett, engenheiro do francês, lhe recomendou ao fim da prova que se hidratasse o máximo possível. Ao ser informado do estado de saúde de Esteban, Peckett ainda perguntou se ele estava bem.
– Foi bem quente. Eu não contei a vocês, mas vomitei na volta 15 – disse Ocon, pelo rádio da Alpine.
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Esteban Ocon chegou a vomitar no próprio capacete durante o GP do Catar de F1 2023 — Foto: Kym Illman/Getty Images
Outro piloto a também queixar-se de mal estar ainda dentro do carro foi Guanyu Zhou. De 19º a nono na corrida, o titular da Alfa Romeo comentou com Jorn Becker, seu engenheiro, sobre a situação.
– P… que pariu, eu estou exausto. Estava me esforçando a cada volta como se fosse uma volta rápida. Santo Deus.
Por que estava tão quente no Catar?
O problema no Catar – assim como em Singapura – é a combinação entre calor e alta umidade, que afeta o processo de resfriamento do corpo por meio do suor. Em outubro, é outono na região, mas as temperaturas beiram os 35ºC durante o dia e 26ºC pela noite. A alta umidade também pode afetar a percepção do calor, aumentando a sensação térmica.
A última edição do GP do Catar, em 2021, foi no fim de novembro, mesmo período em que a Copa do Mundo de futebol foi realizada ano passado. Nesta época do ano, as temperaturas variam entre 18ºC e 24ºC.
A F1 retorna daqui a duas semanas em 22 de outubro com o GP dos Estados Unidos, no Circuito das Américas em Austin, Texas. Restam cinco etapas para o fim da temporada, que já coroou Max Verstappen tricampeão mundial.

