Shahed Al Banna, de 18 anos, está em Gaza há um ano e meio e é uma das 30 pessoas que tentam deixar a região e voltar ao Brasil. Itamaraty tem como planejamento fazer a retirada por via terrestre, com o uso de dois ônibus, mas passagem para o Egito segue fechada.
Por Isabela Leite, GloboNews
A brasileira Shahed Al Banna, de 18 anos, está em Gaza há um ano e meio e é uma das 30 pessoas que tentam deixar a região e voltar ao Brasil.
Em um relato enviado à GloboNews nesta quarta-feira (11), ela conta que está na casa de uma tia há quatro dias e que foram alertados sobre um ataque ao lado de onde estão, mas que não terão tempo suficiente para se deslocarem.
“[Os israelenses] ligaram para o marido da minha tia agora há pouco dizendo que eles vão atacar uma casa ao lado da casa dela, onde nós estamos. Todos são inocentes, que não têm culpa. Não temos tempo suficiente para sair porque temos medo de sermos feridos. Então a gente vai ficar aqui até acabar o ataque”, contou.
Shahed está com mais de 20 pessoas na mesma casa, a maioria mulheres e crianças. Entre o grupo, apenas ela, a irmã e a avó são cidadãs brasileiras. Elas estão há quatro dias fora de casa e tentam sair de Gaza após o conflito entre Israel e o Hamas.
“Não sei se realmente vão conseguir nos tirar daqui”, relatou a brasileira.
Fuga por fronteira com Egito
Desde o começo da semana, 7 famílias tentam retornar de Gaza ao Brasil. A principal alternativa em estudo até o momento envolve o posto de Rafah, na fronteira entre Gaza e Egito, hoje fechado em razão dos bombardeios.
O Egito é um dos únicos dois países que fazem fronteira terrestre com a Faixa de Gaza. O outro é Israel, que, desde o último sábado, trava um novo capítulo da guerra contra o Hamas.
O Itamaraty planeja fazer a retirada por via terrestre, com o uso de dois ônibus. Na manhã desta quarta-feira (11), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, disse que conversou por telefone com o chanceler do Egito, Sameh Shoukry, em busca de apoio do país na retirada dos brasileiros que estão na Faixa de Gaza.
“Creio que será a saída para evacuar os brasileiros que se encontram nessa região conflagrada e correndo risco. Dessa forma, estarão sãos e salvos no território egípcio. Estamos trabalhando, portanto, para conseguir informar ao governo egípcio da documentação e do horário, dia e horário em que o ônibus passaria”, afirmou o ministro Mauro Vieira.
O secretário de África e de Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, também classificou nesta quarta-feira a situação dos brasileiros que se encontram em Gaza como “muito particular”.
“Acho que aí existem duas questões: uma é o fato de a passagem de Rafah ter uma abertura intermitente. Isso em função da situação justamente de segurança naquela zona – essa é uma questão. A outra é a questão da autorização para ingresso no território egípcio. E a esse respeito, o nosso chanceler esteve em contato com o chanceler egípcio buscando essa autorização assim que possível”, disse o embaixador.
Ataques israelenses
Ao todo, 2.300 pessoas morreram até a manhã desta quarta-feira (11), segundo os dois lados.
Após a ofensiva do Hamas, Israel contra-atacou bombardeando Gaza. A região, que é uma estreita faixa de terra com cerca de 40 quilômetros de comprimento, situada entre Israel, o Egito e o Mar Mediterrâneo, sofreu com ataques e um bloqueio total. Israel bloqueou a passagem de alimentos, água, combustível e medicamentos na Faixa de Gaza.
Nesta quarta-feira (11), o Hamas disse que a única usina de energia da região não estava mais operando.
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Um menino palestino sentado em uma casa danificada vista através dos escombros, após os ataques israelenses, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, 11 de outubro de 2023 — Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
Civis atingidos em Gaza
As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter feitos novos bombardeios contra a Faixa de Gaza, destruindo alvos ligados ao grupo terrorista. No entanto, autoridades locais alegam que diversos alvos civis também foram atingidos. Foram mais de 400 ataques nas últimas 24 horas, sendo ao menos 200 só nesta quarta.
A agência da ONU para refugiados palestinos informou que nove de seus funcionários foram mortos com os ataques aéreos.
Juliette Touma, diretora de comunicações, disse que os ataques mataram os funcionários da ONU dentro de suas casas.
Outro ataque israelense, segundo autoridades do Hamas, atingiu a casa da família de Mohammad Deif, um dos dois líderes militares do grupo terrorista. O bombardeio matou o pai e o irmão de Deif, além de outros dois parentes. O paradeiro de Deif segue desconhecido.

