‘Estou convencido de que este não é um país de merda como dizem, mas um grande país’, diz Sergio Massa em discurso após primeiro turno

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Massa ainda afirma que fará um governo de união e tenta agradar eleitores de partido tradicional.

Por G1

Sergio Massa ficou na frente no primeiro turno das eleições presidenciais, que aconteceu neste domingo (22). A definição do próximo presidente será entre ele e Javier Milei, candidato populista que se define como libertário, no dia 19 de novembro.

Em seu primeiro discurso após a votação do primeiro turno, Massa afirmou que pretende fazer um governo de unidade –ou seja, chamar políticos de outros partidos, que não o da coligação peronista, para compor o governo.

“Não sou daqueles que gostam de insultar, não sou daqueles que buscam destruir o outro. Sou daqueles que acreditam no diálogo, que acreditam no consenso. Assim que eu vou me movimentar em 10 de dezembro, como presidente da República”, disse. “Porque também estou convencido de que este não é um país de merda como dizem, mas um grande país. Vamos todos nos colocar no lugar que merecemos.”

Ele fez um apelo específico aos membros do partido da União Cívica Radical, um partido tradicional na Argentina.

Nos últimos anos, a União Cívica Radical participou da aliança política do ex-presidente Maurício Macri, a coligação Juntos pela Mudança.

“Quero falar aos milhares de radicais que compartilham conosco valores democráticos, como a educação pública, a independência de poderes, a construção de valores institucionais que a Argentina merece, mas também quero falar com aqueles que escolheram em outra opção pensando na necessidade de ter uma Argentina em paz, sobre a base de construção de valores democráticos, de respeito às instituições, sem incertezas. Quero dizer que vou fazer os maiores esforços para ganhar sua confiança nos próximos dias”, afirmou ele.

No primeiro turno, a coligação Juntos pela Mudança, da qual o partido União Cívica Radical faz parte, teve como candidata à presidência Patricia Bullrich.

Bullrich é de um outro partido, o Proposta Republicana. Ela já deu sinais de que não vai apoiar Sergio Massa. Ela fez um discurso para admitir que perdeu e evitou parabenizar o vencedor, além de ter afirmado que não pode saudar alguém que fez parte do “pior governo da Argentina”. Ela disse que, nos últimos tempos, o governo atual só distribuiu dinheiro e afundou o futuro do país.

A ideia de Massa, portanto, parece ser atrair uma parte do eleitorado de Bullrich, mesmo sem contar com o apoio formal dela.

Indiretas a Milei

Sem citar seu rival, Massa afirmou que quer que as crianças do país vão para a escolha com computadores na mochila, e não armas. Foi uma indireta ao deputado Javier Milei, que propõe facilitar a venda de armas.

Ele também afirmou que neste domingo conversou com líderes de outros países (ele não citou nomes) que estão preocupados com as eleições na Argentina.

“Ao longo do dia eu recebi o chamado de muitos presidentes e dirigentes de outros países, que obviamente olhavam com interesse o que acontecia na eleição. E olhavam com interesse porque sabem que queremos uma Argentina integrada, que acreditamos no multilateralismo, somos garantia de seriedade na hora de estabelecer relações”, disse ele. Essa também é uma indireta para Milei, que já deu declarações criticando o presidente Lula, do Brasil, e também a China.

Quem é Sergio Massa

Sergio Massa começou a vida política em um partido conservador, a UCeDé. Na época, o peronismo (corrente política ligada ao ex-presidente Juan Domingo Perón) vivia uma fase de direita. A UCeDé era da base do governo, e Massa acabou migrando para o peronismo.

Ele foi eleito deputado federal em 1999, e, pela primeira vez, ficou no Legislativo até ser nomeado para um cargo no governo federal – área responsável pelas aposentadorias.

Massa tornou-se um aliado do presidente Nestor Kirchner e permaneceu no cargo até o governo de Cristina, quando ele tornou-se chefe de gabinete da nova presidente. No entanto os dois brigaram, e Massa tentou se afastar do kirchnerista e se apresentar como um peronismo independente –foi assim que ele se concorreu nas eleições presidenciais de 2015, quando perdeu para Maurício Macri.

Em 2019, Massa e Cristina voltaram a se aproximar. A esquerda fez uma grande aliança naquele ano: Alberto Fernández foi eleito presidente com Cristina Kirchner como vice, e Massa foi eleito deputado. Massa esteve na câmara até julho de 2022, quando foi escolhido ministro da Economia. . Ele ainda está no cargo, mesmo sendo, ao mesmo tempo, candidato à presidência.

Apesar de ser ligado historicamente aos Kirchner, ele é considerado um centrista. Carlos Pagni, um dos principais analistas políticos da Argentina, afirma que Massa é o que há de mais ortodoxo no atual grupo que está no governo.

Principais propostas de governo:

  • Sergio Massa é o candidato do governo (a frente política chama-se União pela Pátria). Ele tem uma série de propostas sociais: recuperar o poder aquisitivo das famílias, passar a distribuir remédios de forma gratuita, incluir alguns direitos nas leis trabalhistas, fazer algumas alterações no ensino e criar uma política para mitigar as emissões de gases do efeito estufa e poluentes das indústrias de óleo e gás e mineradora.
  • Ele também diz que quer fortalecer empresas estatais.
  • A grande questão para Massa, no entanto, é como estabilizar a economia. Ele é o atual ministro da Economia, e a inflação chegou a 138% ao ano.
  • Na campanha, ele afirmou que a ideia é tentar fortalecer as exportações, que garantem ingresso de dólares. Isso permitira ao governo estabilizar a moeda argentina, o peso.
  • Além disso, a ideia é cortar alguns gastos. Por exemplo, ele propõe mudar os programas de assistência social por programas para aumentar o emprego formal e também uma reforma tributária para simplificar a arrecadação.