Milei, 2º colocado, diz que está disposto a fazer acordo com partido que ficou em 3º

Notícia

Em suas primeiras palavras, candidato afirmou que, se o país quiser mudança, é preciso fazer uma aliança para derrotar os kirchneristas.

Por G1

Javier Milei, candidato populista da Argentina que se define como libertário, foi o segundo colocado no primeiro turno das eleições presidenciais, neste domingo (22). Ele irá enfrentar o candidato governista Sergio Massa no segundo turno, em 19 de novembro.

Em sua primeira manifestação após a apuração dos votos, Milei sinalizou que quer fazer uma aliança com a coligação Juntos pela Mudança, que ficou em terceiro lugar. Patricia Bullrich, a candidata do Juntos, teve 23% dos votos.

Milei afirmou que, se o país quiser mudança, é preciso fazer uma aliança para derrotar os kirchneristas. Ele repetiu a palavra “mudança” diversas vezes.

“Dois terços dos argentinos votaram por uma mudança, uma alternativa a esse governo de delinquentes”, disse.

“Todos que queremos uma mudança devemos trabalhar juntos. Pensemos no futuro, no que queremos para nossos filhos”, continuou.

Candidato disse que o resultado é histórico

Em seu discurso, Milei afirmou que esse é um momento histórico para o país. Isso porque, segundo o próprio candidato, há dois anos ele não tinha nem mesmo um partido, e agora está disputando a presidência com a principal força política do país.

O resultado, disse Milei, é produto do esforço de milhares de pessoas que trabalharam pelas ideias da liberdade.

Quem é Javier Milei

Javier Milei é um economista argentino formado pela Universidade de Belgrano, tem 52 anos e é natural de Buenos Aires.

O jornal “El País” descreve Milei como um economista ultraliberal, que se declara “anarcocapitalista”. O argentino é contra o aborto, a favor do casamento homoafetivo, considera as mudanças climáticas “uma farsa” da esquerda.

Milei foi assessor do general Antonio Bussi, militar que foi governador da província de Tucumán durante a ditadura e posteriormente deputado nacional; economista-chefe da Fundação Acordar, do ex-governador peronista de Buenos Aires, Daniel Scioli; e trabalhou na empresa que administra a maioria dos aeroportos argentinos.

É também admirador de Jair Bolsonaro, com quem costuma ser comparado, e de Donald Trump.

Principais propostas

  • Milei tem levado uma motosserra para seus atos de campanha. É uma metáfora para uma das suas principais bandeiras eleitorais, a diminuição do tamanho do Estado. Ele afirma que conseguiria uma redução equivalente a 15% do PIB argentino. Ele diz que vai reduzir o número de ministérios de 18 para 8. Acabariam, por exemplo, os ministérios de Cultura, de Ciência e de Meio Ambiente (em seu discurso Milei diz que o aquecimento global não é causado pela atividade humana).
  • Ele também já afirmou que pretende tirar fundos do Conicet, uma autarquia que financia pesquisa científica na Argentina.
  • Ele afirma ainda que vai acabar com o Banco Central.
  • Apesar de ele ter repetido diversas vezes que pretende dolarizar a economia, esse tema não apareceu no programa.
  • Ele promete reforma do setor elétrico, abertura comercial radical e privatizações de empresas com a YPF e Aerolíneas Argentinas.
  • Ele já afirmou também que, como é católico, é contrário à lei que descriminalizou o aborto no país e que tentaria revertê-la.