Análise: quase campeão, Palmeiras mostra que “era Abel”, com futuro incerto, tem lenha para queimar

Esportes

Técnico não cravou sua permanência enquanto se aproxima do nono título em três anos de trabalho. Vitória sobre o Fluminense deixou a equipe muito perto de levar o bi brasileiro

Por Thiago Ferri

Palmeiras fez sua parte e está com “nove dedos e meio” na taça do Campeonato BrasileiroA vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense neste domingo encaminhou o nono título da “era Abel”, que tem futuro incerto, mas mostrou ainda ter lenha para queimar.

Após a partida, Abel Ferreira tratou como especulações as notícias de que já decidiu sair, mas ainda não cravou se estará no Verdão ano que vem – seu contrato vence em dezembro de 2024.

Breno Lopes comemora o primeiro gol do Palmeiras contra o Fluminense — Foto: Marcos Ribolli

Breno Lopes comemora o primeiro gol do Palmeiras contra o Fluminense — Foto: Marcos Ribolli

Ainda que o desgaste pela rotina do futebol brasileiro tenha o afetado bastante, seus comandados deram mais uma demonstração em campo no último domingo de que querem continuar ganhando.

Diante dos reservas do Fluminense e com a necessidade de vencer para se tornar virtual campeão brasileiro e não depender dos rivais, o Palmeiras mostrou o desempenho e concentração que marcam o trabalho da comissão técnica portuguesa.

Novamente com Marcos Rocha jogando como zagueiro junto de Gustavo Gómez e Murilo, o Verdão terminou como a equipe que mais criou no jogo (22 finalizações a seis), ainda que nunca tenha passado de 40% da posse de bola em sua casa.

Mais uma demonstração do perfil “camaleônico” que Abel diz ter seu time. Contra um rival que gosta de ficar com a bola, mas sem sua força máxima, o Palmeiras teve como estratégia roubar a bola e acelerar rapidamente o jogo.

Foram três gols marcados no primeiro tempo, sendo dois anulados, primeiro pelo toque de mão de Endrick e depois por uma questionável marcação de saída de bola na linha de fundo. O que valeu saiu de uma linda bola acelerada por Zé Rafael para Breno Lopes.

Exceto pelos minutos iniciais, em que John Kennedy ganhou três jogadas contra a defesa do Verdão, o restante do jogo foi seguro defensivamente. A “baliza a zero”, que o técnico tanto pede, foi resultado de um jogo de muita entrega sem bola.

Especialmente no segundo tempo, em que Fernando Diniz começou a colocar jogadores como André, Martinelli e Keno (o Fluminense teve Justen expulso no começo da etapa final) o Palmeiras controlou o jogo e correu poucos riscos, mesmo que com menos posse.

O resultado de domingo faz com que o Verdão possa conquistar o Brasileiro até com derrota na última rodada. Um cenário irreal há dez jogos, quando a distância era de 14 pontos para o líder Botafogo.

A arrancada com o elenco mais enfraquecido dos últimos três anos, com a reinvenção a partir da mudança de esquema, tem muita participação de Abel Ferreira. Mesmo com três anos de trabalho, os jogadores continuam “comprando” as ideias desta comissão.

O bicampeonato brasileiro não será o feito mais relevante de sua passagem (as duas Libertadores ainda estão na frente), mas é o mais difícil por todo este contexto: a distância para o líder, a falta de reforços, a necessidade de jogar em Barueri na reta final…

Além de o jogo da festa do título na quarta, o confronto com o Cruzeiro no Mineirão vai gerar muita ansiedade na torcida para saber o que o treinador vai fazer.

Se o técnico dá cada vez mais demonstrações de que a rotina do futebol brasileiro pode fazê-lo encerrar neste fim de ano uma das fases mais gloriosas da história do Palmeiras, dentro de campo, seus comandados dão demonstrações de que ainda é possível conquistar mais.