Cambalacho: Regina Casé celebra volta de Tina Pepper e relembra fuga dos bastidores

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Atriz compara personagem a Dona Lurdes, de Amor de Mãe, e presta homenagem a Tina Turner: ‘Só tenho a agradecer a herança que ela me deixou’. Novela de Silvio de Abreu está no catálogo do Globoplay

Por Adriana Pizzotti, gshow

Em 1986 uma personagem da novela Cambalacho ganhou a atenção de todo o Brasil. Tratava-se de Albertina Pimenta, ou melhor, Tina Pepper, que conquistou o estrelato depois de aprontar poucas e boas. Interpretada por Regina Casé, Tina Pepper era fã de Tina Turner, e assim como a musa, sonhava ser uma cantora famosa e ostentava uma peruca igual ao do ídolo.

Passados quase 40 anos, Tina Pepper continua no imaginário do público noveleiro e é motivo de grande orgulho para a atriz, que celebra a entrada de Cambalacho no projeto Resgate do Globoplay.

“É incrível que essa novela de 1986 esteja tão viva. A personagem também é muito viva. De início, ela nem era protagonista, parecia um papel pequeno, mas ela cresceu, explodiu, brilhou e até hoje ela tem vida própria. É impressionante como as pessoas adoram a Tina Pepper e eu também”, comentou Regina Casé, que a compara com Dona Lurdes, sua personagem em Amor de Mãe, que também cativou o público e alcançou um caminho além da teledramaturgia, chegando à literatura e ao cinema.

“Tina extrapolou, ela chegou a virar um cross-media, que na época nem tinha esse termo. Foi ao Chacrinha, foi na festa do Guilherme Araújo (promoter) no Copacabana Palace. É meio o que está acontecendo agora com a Dona Lurdes. Será que isso quer dizer alguma coisa?”

Hit na boca do povo

Primeiro papel marcante de Regina Casé na TV, Tina Pepper era irreverente, sem papas na língua e com uma autoestima elevadíssima. A funcionária da academia Physical, sempre de olho no estrelato e nas oportunidades amorosas, achou um livro de feitiços e mandou ver, conquistando os bonitões mais cobiçados da trama. E, quando teve uma chance, lançou o hit “Você me Incendeia”, que caiu na boca no povo e continua vivo na memória da atriz.

“Se eu me lembro da música ‘Você me Incendeia’? Claro que eu lembro! Mais do que eu cantar, em muitos lugares onde eu chego, pessoas que nem eram nascidas naquela época cantam a música todinha, porque viralizou. A cena mais famosa da Tina, e que se tornou mais popular na internet, foi quando ela se apresentou no programa do Chacrinha interpretando o hit”, recordou Regina.

Trocando o almoço pela praia

Aliás, a nostalgia de Regina Casé só cresce com as lembranças de Tina Pepper e de Cambalacho. Seja de suas parcerias em cena com Consuelo LeandroLuiz Fernando Guimarães e Fernanda Montenegro, do convívio com o diretor e amigo Jorge Fernando e dos bastidores, mais que especiais, com direito a fugas. Sim, fugas!

“Na época ainda não existiam os Estúdios Globo. Nós gravávamos numa cidade cenográfica onde construíram a academia Physical, em Guaratiba. E eu fugia! Como eu usava peruca, podia molhar o cabelo. Eu fugia todos os dias com Maurício Mattar e Edson Celulari . Trocávamos o almoço por uma nadada na praia. Íamos para o mar, era uma delícia!”

Regina Casé contribuiu com o figurino marcante de Tina Pepper — Foto: Reprodução/Instagram

Regina Casé contribuiu com o figurino marcante de Tina Pepper — Foto: Reprodução/Instagram

Por falar na peruca icônica de Tina Pepper, o adereço foi conseguido por meio de um amigo cabeleireiro, Serginho Stiley, mas Regina Casé lamenta não tê-lo guardado. E mesmo a personagem sendo uma criação do autor Silvio de Abreu, a atriz contribuiu para a construção, levando um pouco de Regina para ela, como as roupas de oncinha.

Herança de Tina Turner

Regina Casé como Tina Pepper, personagem de Cambalacho, que homenageava Tina Turner — Foto: Reprodução/Divulgação

Regina Casé como Tina Pepper, personagem de Cambalacho, que homenageava Tina Turner — Foto: Reprodução/Divulgação

Nem Tina Pepper nem Regina Casé conheceram Tina Turner, mas a atriz, em seu momento fã, não deixa de exaltar a cantora americana, que morreu em maio desse ano, aos 83 anos:

“Quando eu fui pela primeira vez a um país africano, desembarquei em Maputo, Moçambique, e fui muito bem recebida pelas pessoas, que gritavam: ‘Tina! Tina! Tina!’. Na hora, eu perguntei se estavam reprisando a novela Cambalacho. E me disseram que não. Então, eu me perguntei o porquê daquela reação, e foi quando me explicaram que a Tina tinha sido a primeira personagem negra que os representou e, por isso, eles eram apaixonados por Tina Pepper. Eu só tenho que agradecer a Tina Turner por toda essa herança que ela me deixou, todos esses presentes que ela me deu em vida sem nem saber. Ela foi uma das mulheres mais geniais que já passaram por aqui.”

“Lamento não tê-la conhecido pessoalmente, apesar de ela ter vindo ao Brasil. Senti até inveja do Evandro Mesquita, que chegou a cantar com ela, rs. A Tina Turner não tem ideia de que, além das músicas, da coragem e daquela imagem tão forte que ela sempre representou pra mim – com aquelas pernas, cabelo, boca e vozeirão – me deu muitos presentes lindos.”