Por Valdo Cruz
A ausência de uma condenação direta do governo brasileiro ao Hamas, pelos ataques terroristas a Israel, está gerando incômodo entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo interlocutores do presidente da República, a defesa de um Estado Palestino e do seu povo é justa e correta, mas não justifica evitar citar diretamente o Hamas com autor dos ataques bárbaros contra civis israelenses e de outras nacionalidades.
O governo Lula criticou, desde o início, os ataques terroristas, ainda mais porque eles tiveram como alvo civis indefesos. Dois brasileiros, inclusive, já morreram nos ataques e uma está desaparecida. Isso é usado por assessores de Lula para defender a posição do Palácio do Planalto.
Só que, até o momento, todos os comunicados e postagens nas redes sociais não mencionam o Hamas, deixando de criticar e repudiar o grupo pelos ataques terroristas.
“Se é correto defender a Palestina e também o povo israelense pelos ataques, e seguir na bandeira da criação de dois Estados na região, não é compreensível não criticar diretamente o Hamas, ainda mais depois das últimas imagens de assassinatos brutais de civis”, disse ao blog reservadamente um integrante do governo Lula.
O incômodo aumentou depois das imagens divulgadas nesta terça-feira, mostrando terroristas do Hamas matando civis indefesos. E das descobertas de corpos de mulheres, idosos e até crianças degoladas pelos terroristas do grupo.
“Aquilo tem de ser condenado pelo nome de quem cometeu essas atrocidades”, comentou outro aliado de Lula.
Para esses interlocutores, o governo Lula deveria condenar especificamente o Hamas. A ausência de citação direta ao grupo acaba tirando credibilidade do Brasil neste momento para tentar, como presidente do Conselho de Segurança da ONU, uma solução para “acalmar os ânimos” na região.
De outro lado, o governo Lula celebrou a bem-sucedida operação para trazer de volta brasileiros que estavam e ainda estão em Israel. O primeiro avião, com 211 brasileiros, chegou nesta madrugada. Até sábado (14), a expectativa é que 900 já tenham retornado.
O presidente Lula estabeleceu como prioridade do governo o resgate de brasileiros.
A equipe presidencial sabe, porém, que a gestão está sendo atacada nas redes sociais por sua posição classificada de dúbia por bolsonaristas.
As críticas destacam que não é possível relativizar o que está acontecendo no Oriente Médio.

