Dólar inverte sinal e opera em alta, com mercado atento aos sinais da economia americana; Ibovespa cai

Economia

No dia anterior, a moeda norte-americana subiu 1,71%, cotada a R$ 5,1530, no maior patamar em mais de seis meses. Já a bolsa de valores brasileira fechou em queda de 1,42%, aos 113.419 pontos.

Por G1

O dólar inverteu o sinal e passou a opera mais um dia em alta nesta quarta-feira (4). Investidores seguem repercutindo, com cautela, dados econômicos dos Estados Unidos, que trazem mais sinais sobre o futuro dos juros e da atividade econômica no país.

Ibovespa opera em leve baixa, acompanhando o mesmo movimento de aversão aos riscos que domina os mercados em nível global.

Veja abaixo o dia nos mercados.

Dólar

Às 10h50, a moeda norte-americana subia 0,14%, cotada a R$ 5,1602. Veja mais cotações.

No dia anterior, o dólar fechou em alta de 1,71%, cotado a R$ 5,1530, no maior patamar em seis meses. Com o resultado, a moeda passou a acumular:

  • altas de 2,51% na semana e no mês;
  • queda de 2,37% no ano.

Ibovespa

Também às 10h50, Ibovespa subia 0,16%, aos 113.242 pontos.

Na véspera, o índice fechou em queda de 1,42%, aos 113.419 pontos. Com o resultado, o índice passou a acumular:

  • quedas de 2,70% na semana e no mês;
  • alta de 3,36% no ano.

O que está mexendo com os mercados?

Embora o mercado tenha amanhecido levemente mais positivo hoje, em um movimento natural de correção dos últimos tombos, investidores em todo o mundo seguem atentos aos sinais da economia americana, que geram preocupação em nível global e voltam a pesar sobre os negócios.

Ontem, os Treasuries de 10 anos dos EUA chegaram a marcar 4,7% – o maior nível desde outubro de 2007. Esses são os títulos públicos da maior economia do mundo e, por isso, são considerados a referência em segurança.

Assim, quando a rentabilidade desses títulos está alta, há uma migração de investimentos para lá, tirando dinheiro de ativos de risco, como mercados de ações e moedas de outros países, principalmente os emergentes, caso do Brasil.

E a expectativa é, justamente, que os juros continuem altos por algum tempo. Atualmente, as taxas do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) estão entre 5,25% e 5,50% ao ano e a instituição já sinalizou que deve mantê-las elevadas por alguns meses, podendo até promover novas altas.

Essa perspectiva ganhou força ontem, após o relatório Jolts, de abertura de vagas de trabalho, registrar uma alta inesperada de 690 mil postos em agosto, totalizando 9,610 milhões de vagas, contra uma expectativa de 8,8 milhões do mercado financeiro.

Sinais de melhora no mercado de trabalho da maior economia do mundo também podem indicar uma maior dificuldade no controle da inflação por parte do Fed — já que mais emprego também significa mais dinheiro nas mãos da população e, consequentemente, mais pressão sobre os preços.

Em contrapartida, juros elevados por muito tempo têm como principal consequência a estagnação da economia, já que as taxas altas diminuem os níveis de consumo, porque tornam mais caros os processos de tomada de crédito e financiamento.

Dessa forma, o consenso de boa parte do mercado é que, em breve, os EUA podem passar por um período de recessão econômica, o que pode gerar impactos negativos em todo o mundo.