Ex-assessor diz à polícia que tinha ‘relação afetiva’ e morou com Jair Renan e mãe

Política

Em áudio divulgado pelo portal Metrópoles e confirmado pelo blog, Diego Pupe cita relacionamento amoroso com o filho do ex-presidente, conhecido por piadas homofóbicas e machistas.

Por Isabela Camargo

Assessor de Jair Renan, Diego Pereira de Souza disse após prestar depoimento à Polícia Civil do DF que teve um “relacionamento íntimo, romântico” com o filho 04 do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em áudio divulgado pelo portal Metrópoles e confirmado pelo blog, Diego disse quando questionado por jornalistas que teve um “relacionamento mais delicado” ao detalhar a convivência com Jair Renan.

“Eu tive um relacionamento com o Renan, o qual eu não falei para ninguém ainda. Eu estava esperando esse ‘auê’ da polícia, estava esperando toda essa confirmação que eles estão querendo finalizar, mas logo, logo eu vou falar sobre isso”, disse.

Diego disse aos policiais do DF que conheceu Jair Renan em uma festa feita pelo filho 04 de Bolsonaro no Lago Paranoá e que, depois disso, começou a fazer sua assessoria. Entre outras coisas, cabia a ele fechar contratos, organizar segurança pessoal, agendar entrevistas, entre outras funções. Disse, ainda, não receber valores por esses trabalhos.

À polícia, declarou ter morado por um ano em Brasília com Jair Renan e sua mãe, Ana Cristina, na mansão em que os dois vivem. O relacionamento dos dois teria acabado no fim de 2022.

O assessor afirmou que Jair Renan recebia de R$ 3 mil a R$ 15 mil para aparecer em eventos, pagos em pix na conta de Diego, valores depois repassados a ele ou à mãe, Ana Cristina.

No depoimento, o ex-assessor afirmou que o coach e instrutor de tiro Maciel de Carvalho sugeriu que o Jair Renan transferisse a titularidade de sua empresa para outra pessoa depois que o filho de Bolsonaro passou a ser investigado pela Polícia Federal.

Investigação

As declarações de Diego Pereira de Souza fazem parte da investigação feita pela Polícia Civil que apura o suposto envolvimento do filho do ex-presidente num esquema de lavagem de dinheiro. O assessor disse ainda que a empresa de Jair Renan passou a funcionar no mesmo local que Maciel tinha um clube de tiros.

Durante os trabalhos de assessoria, Danilo disse aos policiais que suspeitou de Maciel pelo fato de que ele “costumava informar diferentes números de CPF” para ser incluído na lista VIP de eventos que eles frequentavam. O assessor também disse que Maciel “lhe mostrava frequentemente extratos bancários com milhões de reais na conta”.

Em agosto, Jair Renan foi alvo de dois mandados de buscas – quando teve celular e HD apreendidos – e o amigo e instrutor de tiro dele, Maciel de Carvalho, foi preso durante operação da polícia do DF – ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão e cinco mandados de busca e apreensão.

A suspeita dos investigadores é que Jair Renan e Maciel Carvalho registraram empresas em nome de dois laranjas para driblar órgãos públicos, ocultar patrimônio e fugir da responsabilidade fiscal, o que pode caracterizar o crime de lavagem de dinheiro.

Polícia Federal chegou a investigar Jair Renan por tráfico de influência, mas caso foi encerrado porque investigadores não identificaram indícios de ilegalidades.

Outras suspeitas

Jair Renan também aparece em outras investigações conduzidas pela Polícia Federal. O filho do ex-presidente Bolsonaro é citado em trocas de mensagens no caso da venda ilegal de joias da presidência e no inquérito das milícias digitais.

g1 entrou em contato com a defesa e ainda não obteve resposta. Na época que a operação foi deflagrada, o advogado disse que nota que Jair Renan estava surpreso, mas tranquilo com a operação.