Mantimentos chegam a Gaza pelo 3º dia após Israel liberar ajuda humanitária em fronteira com Egito

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Em razão das negociações com os Estados Unidos, governo israelense permite a entrada de ajuda humanitária desde sábado (21).

A entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza foi autorizada no sábado (21), segundo autoridades palestinas. Desde então, diversos caminhões com mantimentos estão chegando aos poucos em Rafah, na fronteira entre o Egito e o sul da Faixa de Gaza.

A passagem de Rafah é o único lugar em que é possível cruzar do Egito para a Faixa de Gaza. A região não é controlada por Israel, mas tanto os israelenses quanto os egípcios já mantinham o local fortemente controlado antes da guerra.

Israel impôs um bloqueio total ao território dias depois que o grupo Hamas atacou o país, impedindo o acesso da população a comida, água potável, eletricidade e combustível.

O objetivo do bloqueio, segundo o governo israelense, é libertar os 150 reféns levados pelo Hamas após o ataque início do conflito. A guerra, até aqui, que já deixou mais de 6 mil mortos.

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, junto com a comunidade internacional, convenceram Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, a autorizar o envio de ajuda humanitária para o território.

O gabinete de afirmou que “não impedirá” as entregas de alimentos, água e medicamentos, porém, não houve menção a combustível, que é essencial para abastecer os geradores dos hospitais locais.

“O combustível também é necessário para geradores hospitalares, ambulâncias e usinas de dessalinização – e instamos Israel a adicionar combustível aos suprimentos vitais autorizados a entrar em Gaza”, disse o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa.

No sábado (21)

Cerca de 100 caminhões com mantimentos aguardavam na passagem de Rafah, na fronteira com o Egito. No entanto, apenas 20 caminhões cruzaram o corredor de ajuda e entraram no território.

Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém anunciou que a passagem seria aberta por volta das 10h, pelo horário local — 4h, em Brasília. Pouco depois deste horário, emissoras de TV do Egito começaram a exibir imagens de caminhões atravessando a fronteira.

No domingo (22)

Havia um total de 17 caminhões no comboio de domingo, transportando suprimentos médicos e alimentares, disseram fontes humanitárias e de segurança ouvidos pela agência de notícias Reuters.

Autoridades da ONU (Organizações das Nações Unidas) dizem que seria necessário um ritmo contínuo maior, de pelo menos 100 caminhões por dia em Gaza, para atender às necessidades urgentes.

Segunda-feira (23)

Pacotes de ajuda humanitária japonesa chegaram a uma escola que abrigava pessoas de Gaza, em Khan Younis, nesta segunda-feira (23).

Segundo médicos da organização Crescente Vermelho, chegaram insumos médicos para os hospitais, além de uma pequena quantidade de alimentos.

Os trabalhos para distribuição para aqueles que precisam já foram iniciadas.

O que ainda deve chegar

Uma enorme fila de mais de milhares caminhões aguarda do lado egípcio, na fronteira com Rafah, para poder cruzar para dentro de Gaza com 3.000 toneladas de mantimentos. O montante é referente a ajuda de diversos países.

“Nós temos ajuda suficiente para um longo período de tempo”, disse à DW um funcionário de uma organização humanitária que está em Rafah. “Temos comida, laticínios, vegetais, remédios.

Há ainda mais ajuda no aeroporto El Arish, na costa nordeste do Egito, próximo a passagem.

Um avião militar turco cheio de suprimentos médicos chegou ao Egito, segundo fontes locais nesta segunda-feira. Outros dois aviões carregados com suprimentos de ajuda também devem decolar da capital Turca.

Depois de ser descarregada do avião no aeroporto e em caminhões, a ajuda deve passar pela passagem de fronteira de Rafah para Gaza quando for possível.

Brasil enviou na quarta-feira (18) uma aeronave com 40 purificadores de água portáteis e dois kits de medicamentos e insumos doados pelo governo federal.

Os mantimentos estão no Aeroporto Internacional de Al-Arish, no Egito, a 44,5 quilômetros de Rafah. De lá, o carregamento terá que seguir por terra até o posto na fronteira com a Faixa de Gaza.