Miss Universo determina fim de idade limite: qual o impacto das mudanças no concurso?

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Especialista em misses analisa as alterações de regulamentos ao longo da história dos concursos de beleza e destaca importância de nova norma

Por Mateus Almeida, gshow 

Depois de 71 anos, o Miss Universo surge com uma novidade histórica. A organização do concurso internacional, dirigido atualmente pela tailandesa Anne Jakkaphong Jakrajutatipanunciou para 2024 o fim da restrição de idade. Nas edições anteriores, as candidatas precisavam ter entre 18 e 28 anos para concorrer ao título.

Ao longo de sete décadas, o concurso de beleza incorporou algumas mudanças (mesmo que recentes) em sua cartilha tradicional: em 2012, passou a permitir mulheres trans e, a partir de 2023, admitiu candidatas casadas, divorciadas, grávidas e com filhos.

Mas, qual o impacto dessas mudanças?

Segundo Evandro Hazzy, que é missólogo e especialista em talentos, as mudanças promovidas pelos organizadores do concurso internacional ao longo dos anos influencia diretamente na liberdade das mulheres. Mas, o profissional destaca alguns pontos de atenção que, segundo ele, precisam ser respeitados.

“O Miss Universo sempre foi um concurso tradicional e, no meu ponto de vista, precisa continuar sendo, mas com pitadas de modernidade. Essa nova regra deixa as mulheres livres para escolherem seu futuro e, com certeza, isso é maravilhoso. Só que não é justo uma competição entre mulheres com idades tão distantes”, analisa.

Evandro Hazzy é especialista em misses e trabalha com concursos desde a década de 1980 — Foto: Divulgação

Evandro Hazzy é especialista em misses e trabalha com concursos desde a década de 1980 — Foto: Divulgação

E completa: “Fisiologicamente falando, a pele não é a mesma, os hormônios, o colágeno é diferente. E, principalmente, o pensamento, a maturidade, o psicológico, os objetivos de vida são outros. Acredito que eles poderiam deixar essa oportunidade para uma garota que está começando a construir sua vida. E, mesmo com essa mudança, acredito que não teremos muitas mulheres mais velhas que irão competir, a não ser que seja um sonho do lado íntimo, do passado ou algo assim.”

Novos avanços

Ainda segundo a análise do especialista, que tem em seu histórico profissional como coach oito mulheres conquistando a coroa do Miss Brasil, junto com essas mudanças vêm novos perfis de candidatas.

“O perfil da miss mudou. Quando comecei, no final da década de 1980, a beleza era o ponto alto. Hoje, a miss se tornou uma mulher atual, mais próxima da realidade de uma ‘mulher comum’, que luta por causas sociais e vende a sua história como referência para outras mulheres. A beleza ficou em terceiro plano”, pondera.

Hazzy destaca ainda novos perfis de diversidades que podem ser conquistados no concurso: “Após todas essas mudanças, talvez os concursos possam se tornar mais inclusivos em relação às candidatas cadeirantes, por exemplo, e pessoas com deficiência de modo geral. Mas não enxergo mais nenhuma outra grande mudança necessária.”

Segundo o missólogo Evandro Hazzy, o perfil das misses mudou ao longo das décadas — Foto: Divulgação

Segundo o missólogo Evandro Hazzy, o perfil das misses mudou ao longo das décadas — Foto: Divulgação

Importância dos concursos de beleza

Muito além de conquistar um “título de beleza”, as misses podem ter a oportunidade de alçar seus nomes à fama e, sobretudo, dar visibilidade a questões necessárias ao contexto social. Pelo menos é o que acredita o missólogo.

“A miss, hoje, é uma figura pública e, num piscar de olhos, se torna celebridade. São 12 meses de fama, que a mulher precisa ter muita disciplina para tirar proveito da situação e fazer seu ‘pé de meia’. Mas, o mais importante: a visibilidade. Ela se tornará porta-voz de muita gente necessitada de fala e ela leva o discurso para o debate público. Um dos pontos altos da avaliação atual do Miss Brasil, por exemplo, é a inteligência e o comportamento emocional. Se a miss possuir esses requisitos, ela decola, do contrário voltará para o esquecimento”, finaliza.