PF mira suspeitos de movimentar quase R$ 6 bilhões em contrabando de ouro e garimpo na Terra Yanomami

Política

Corporação realiza quatro operações diferentes pelo país. São cumpridos mandados de prisão e de buscas e apreensão em 8 estados e no DF.

Por Valéria Oliveira, Marcelo Marques, César Tralli, g1 RR, GloboNews e TV Globo 

A Polícia Federal realiza quatro operações nesta quarta-feira (20) contra o garimpo e comércio ilegal de ouro de Terras Indígenas (TI) Yanomami. Segundo as investigações, o minério de ouro extraído de garimpos ilegais na Terra Yanomami e da Venezuela era comercializado no exterior. A suspeita é que a ação ilegal movimentou quase R$ 6 bilhões.

A PF atua para cumprir mandados de busca e apreensão no DF e em 8 estados: RR, GO, AM, DF, TO, SP, MG, RN e PA.

Duas das operações acontecem em Roraima, uma delas com o nome operação Eldorado. Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 40 de busca e apreensão nos estados de Roraima, Amazonas, Goiás e Distrito Federal, expedidos pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Boa Vista, capital de Roraima.

Uma das prisões ocorreu em Boa Vista: Ariel Silva Magalhães, empresário que é suspeito de intermediar a saída do ouro ilegal da TI Yanomami. Ele usava a empresa MF Soluções empresariais para fazer a retirada do minério, de acordo com a PF.

outro alvo foi preso em Anápolis, em Goiás. Segundo a PF, Brubeyk do Nascimento seria negociador do ouro extraído em garimpos ilegais na TI Yanomami e teria montado um esquema de remessas para o exterior.

Operação da PF fez busca em closet de roupas em Roraima — Foto: Divulgação/PF

Operação da PF fez busca em closet de roupas em Roraima — Foto: Divulgação/PF

Outra ação da PF contra o garimpo ilegal ocorre no Amazonas. Com a operação Emboabas foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca, além de outras medidas cautelares, nas cidades de Manaus, no Amazonas; Anápolis, em Goiás; Ilha Solteira, em São Paulo; Uberlândia, em Minas Gerais; Areia Branca, no Rio Grande do Norte; e Ourilândia do Norte, Tucumã e Santa Maria das Barreiras, no Pará.

De acordo com a Polícia Federal, a Operação Emboabas, realizada no Amazonas, identificou indícios de contrabando de ouro para Europa após a prisão em flagrante de uma pessoa que transportava 35 kg de ouro. A PF informou que a pessoa pretendia entregar o produto a dois norte-americanos, sócios de uma empresa em Nova Iorque.

O esquema investigado pela PF envolveria o contrabando de ouro venezuelano, o qual entraria clandestinamente Brasil como pagamento pela exportação de alimentos por mercados de Roraima e do Amazonas.

Transportadoras contratadas esconderiam no dentro de caminhões o ouro contrabandeado, que entrariam em Roraima sem os procedimentos necessários e pagamento de tributos.

Posteriormente, o minério seria comprado por outros integrantes do esquema e enviado para empresas atuantes no ramo de exploração de minério aurífero, responsáveis por concretizar o pagamento aos supermercados e às distribuidoras de alimentos.

Armas e munições são apreendidas em operação da PF em RR — Foto: Divulgação/PF

Armas e munições são apreendidas em operação da PF em RR — Foto: Divulgação/PF

Ouro apreendido com garimpeiros na Terra Yanomami — Foto: Ibama/Divulgação

Ouro apreendido com garimpeiros na Terra Yanomami — Foto: Ibama/Divulgação

Segundo o inquérito, os principais investigados desse esquema também teriam envolvimento com a exploração clandestina do minério em Terras Indígenas Yanomami e em garimpos espalhados em outros estados.

Além dos mandados de prisão e buscas, a Justiça também determinou a indisponibilidade de ativos financeiros, veículos e aeronaves dos investigados.