Starbucks tem 15 dias para sair de shopping de BH; despejo foi determinado pela Justiça

Economia

O motivo é a falta de pagamento de três meses de aluguel. A empresa pediu recuperação judicial.

Por Alex Araújo, g1 Minas

O juiz Eduardo Veloso Lago, da 25ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, determinou o despejo da Starbucks da loja alugada no Boulevard Shopping, no bairro Santa Efigênia, na Região Centro-Sul da capital mineira. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial. (leia mais abaixo)

O motivo, segundo a ordem judicial, é a falta de pagamento de três meses de aluguel e, na decisão, Lago deu um prazo de 15 dias para a cafeteria desocupar o imóvel, a contar desta segunda-feira (27), data da expedição da sentença.

“Assim, defiro a liminar, mediante caução em dinheiro, para determinar ao(s) Réu(s)-locatário(s) (e eventuais ocupantes) que desocupe(m) o imóvel no prazo de 15 dias, sob pena de desalojamento compulsório. Fixo a caução no valor equivalente a 03 (três) aluguéis vigentes, a ser prestada no prazo de 05 dias, dispensada a lavratura de termo”, decidiu.

O magistrado ainda mandou que a Starbucks faça o pagamento “via depósito judicial, dos aluguéis e acessórios da locação vencidos, acrescidos dos encargos moratórios devidos (…)”.

g1 Minas entrou em contato com a SouthRock Capital – que controla a Starbucks no Brasil – e com o Boulevard Shopping e aguarda os retornos.

Recuperação judicial

A empresa SouthRock Capital entrou com pedido de recuperação judicial no dia 31 de outubro deste ano. A companhia comanda operações da Starbucks e a Eataly, via licenciamento e franquias, no Brasil.

O documento foi protocolado pelo escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados na 1º Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A dívida registrada é de R$ 1,8 bilhão.

A companhia justificou o pedido por conta do: baixo grau de confiança; alta instabilidade no país; bem como a volatilidade da taxa de juros –mercado espera que Banco Central baixe a Selic a 12,25% ao ano nesta quarta-feira (1º) –; e constantes variações cambiais, “que desequilibram o mercado e atingem fortemente o empreendedor brasileiro”.

Além disso, a crise econômica e o período da pandemia da Covid-19 derrubaram o lucro da empresa. Em 2020, a SouthRock teve uma queda de 95% nas vendas, além de seus parceiros comerciais ficarem inadimplentes (quando não conseguem arcar com as dívidas). Em 2021, a queda foi de 70%; 2022, 30%.